quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

A surdez

Olá, eu sou Periwinkle.

Há um certo tempo atrás, fiz um curso básico de Libras. Foi algo bem introdutório, mas que trouxe para a minha vida muitos aprendizados e curiosidades das quais eu, como ouvinte, não fazia a mínima ideia da existência. Acredito fielmente que, para entender como os outros se sentem, como vivem, como se portam e como são tratados na sociedade, a gente precisa “ouvir”.

Mais um semestre chega ao fim e eu fico imaginando se, no próximo, alguma cadeira de Libras já estará disponível. A linguagem de sinais sempre foi algo que me encantou desde criança; a maneira como um idioma permitia que falantes, mudos, ouvintes e surdos se comunicassem sem problemas sempre me deixou intrigada. Depois, passei a achar isso descolado demais. “Eles usam as mãos para falar!”, era exatamente assim que eu me sentia.

Conforme fui crescendo, percebi a Libras inserida em outros locais além das propagandas eleitorais: em escolas, em programas de TV e, o mais intrigante, em shows de música ao vivo.

Pensar em uma pessoa surda em meio a uma multidão, “ouvindo” sua música favorita sem escutar nada, sempre me deixou confusa: “qual a necessidade?”. Ludwig van Beethoven era um homem tão apaixonado por sua música que, ao atingir a surdez, não suportou viver sem ela e cortou as pernas de seu piano para que pudesse sentir as vibrações.

Acredito que essas pessoas se sentem como Beethoven se sentia: elas sentem a música, o calor, as vibrações, a letra, o clima. Foi aí que eu entendi o grande poder que a música tem na vida das pessoas. A música acalma, desperta, traz lembranças, faz viajar. A música queima, congela, amaldiçoa e abençoa. A música é política, é religião, é declaração e também adoração.

Entender a música como algo vivo me fez entender a surdez também. Acredito que essa tenha sido a parte mais significativa de toda essa jornada. Espero encontrar em breve minha disciplina de Libras e espero, um dia, poder ver as pessoas se comunicando sem tantos problemas. Afinal, a gente é brasileiro e sempre dá um jeito.

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